quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sugestão de música - Guidom (Crombie)

Aproveitando o tema do post anterior. Quero sugerir aqui uma música pra quem gosta da boa produção brasileira.
Banda Crombie. Música "Guidom". Vale muito a pena ouvir...

Eu sigo certo na contra-mão
do meu desejo equivocado
Passei no meio da confusão
andando sempre orientado

Eu não pedalo sozinho não
quem foi que disse que eu controlo meu guidom?
Quem me guia é quem me fez
e eu vivo um dia de cada vez
Que é pra eu não me perder
nem me equivocar no meu querer

Quem me guia é quem me fez
e eu vivo um dia de cada vez

Deixo pra trás
a vontade de desistir
Trago comigo
a esperança no porvir
e a força pra prosseguir

sábado, 14 de janeiro de 2012

O modo de vida de um cidadão dos céus

Mais uma edição do BigBrother Brasil inicia na programação da TV Globo, e toda a publicidade em torno dele. Já estão fazendo fórum para o telespectador escolher que seria a nova musa do BBB que assinará o “tradicional” contrato com a revista Playboy. Os aparelhos de TV em todo o país entram em sintonia no horário nobre para acompanhar os acontecimentos dentro da “casa mais vigiada do Brasil”, como carinhosamente chama seu entusiasmado apresentador. Inclusive os televisores de muitos crentes que acompanham os “brothers” em sua escalada para a fama. Inclusive, me parece que tem até uma “irmã” crente entre eles. Ou melhor, como ela mesma se intitulou, “crente praticante”. É, parece que hoje se tornou preciso dizer se você é praticante da sã doutrina ou apenas mais um frequentador da religião evangélica. O que, muito bem nos relembra o querido Pr. Pontes¹, já foi um hábito dos “irmãos” católicos durante as décadas de 70 a 90, para diferenciar aqueles que não seguiam os padrões de pecado de alguns que eram acusados de beberrões, mentirosos e tantos outros adjetivos.

Queridos, não quero aqui ser o juiz de ninguém afirmando ser certo ou errado assistir o tão falado reality show da global rede de televisão brasileira. Nem tampouco que seria certo ou errado um cristão participar de tal programa. Não quero entrar nesse mérito. Só esperamos que a nossa “irmã” praticante não seja a nova contratada da revista masculina, o que no mínimo, seria contraditório com seu título autoproclamado. Mas não se espantem se em algum dia vocês assistirem algum participante do programa se aproximar da moça e cantar “irmãzinha, delícia... ai se eu te pego”, com voz de esquilo e tudo. O que eu quero chamar atenção aqui é exatamente essa diferenciação que foi preciso ser feita pela moça para que todos saibam quem ela é (será?). Muito parecido com um conceito antigo que a Bíblia chama de santificação. Então aproveito o ensejo para compartilhar uma mensagem escrita nessa mesma obra literária (sim, literária, porém, profética), que é a Palavra de Deus. Então vamos lá.

O apóstolo Paulo escrevendo aos Filipenses diz em sua carta, no capítulo 3 versículos 17 a 21:

Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós; porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas. Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas.

E ainda no capítulo 4 versículos 8 e 9:

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco.

O apóstolo aos gentios estava aqui nesse trecho da carta preocupado com uma dificuldade que os irmãos de Filipos estavam passando devido a pressões exercidas por falsos ensinamentos que estavam pondo em risco o testemunho dos crentes no mundo. Um grupo de religiosos que se diziam cristãos, estava praticando e ensinando hábitos que causaram polêmica dentro da igreja, e, de fato, estava levando os fiéis em Cristo a serem tentados a praticarem obras das quais o apóstolo os relembra que não estão de acordo com a moral divina a qual os salvos em Jesus um dia assumiram o compromisso de viver. Provavelmente ele havia recebido alguma carta de algum membro ou grupo de membros que viviam naquela cidade, relatando tais hábitos e a situação em que se encontravam. O apóstolo possuía laços de amizade fortes com os crentes em Filipos, inclusive citando o nome de alguns que chegaram a auxiliá-lo na obra missionária. Talvez alguns dos que primeiro se converteram naquele lugar e ajudaram no início da igreja cristã, e que conheciam a Paulo e seu testemunho. E é apelando a esse testemunho que Paulo inicia o trecho (v. 17) em que convoca os cristãos a se afastarem das práticas que não condizem com os ensinamentos que ele havia passado àqueles irmãos (cf. 4:8-9).

Paulo diz, “sede meus imitadores”, expressão que ele repete nas cartas aos Coríntios (4:16; 11:1) e aos Efésios (5:1). Paulo não apenas está apresentando aos filipenses um exemplo de cristão que eles deveriam seguir, mas ele estava expondo a si mesmo e os desafiando a tomarem uma postura que fosse contrária ao que já estava se tornando comum entre os filipenses. Uma postura que não agradava a Deus. Esta era a postura daqueles que Paulo, com muita tristeza (v. 18), chama de “inimigos da cruz de Cristo”. Oh irmãos, quão profunda e negativamente seria um cristão ser considerado pelo apóstolo amado como um inimigo da cruz de Cristo. Isso seria semelhante ao que ouvirão do próprio Cristo no dia da sua volta, “nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23). Provavelmente se algum dos leitores da carta tivesse chegado a ouvir estas palavras de Cristo, ou ouvido o testemunho de alguém que esteve com ele, teria sentido uma dor no coração que com certeza o faria a mudar sua postura para a nova postura a que Paulo clama que sigam (apesar de se tratar de um princípio divino eterno ensinado anteriormente), caso esse leitor estivesse praticando tais obras. E que práticas eram essas, afinal?

Paulo, segundo o comentário da Bíblia de Genebra, poderia ter em mente de forma especial, o grupo de religiosos, que duvidavam da existência carnal de Jesus, sendo ele apenas um espírito puro, colocando, portanto, em xeque toda a doutrina do pecado. Esses religiosos, se consideravam espiritualmente superiores, estando em um nível onde o pecado, que habita na carne, não os atingiria, já que viviam em um plano espiritual superior, assim como Cristo habitou apenas um plano espiritual. Portanto, tinham a falsa liberdade de que podiam praticar quaisquer obras em vida, já que o pecado nunca atingiria o plano espiritual no qual viviam, estando eles livres de caírem na condenação mortal que o pecado traz aos que ainda não haviam alcançado esse nível de espiritualidade. Porém Paulo, vos lembra que devemos viver de modo digno para com a cruz de Cristo, mortificando nossos desejos pecaminosos e buscando viver em santidade, o que é condizente com nossa cidadania celestial. E aqui está o segredo de tudo. O que na verdade esses falsos mestres ensinavam e praticavam nada mais era que um estado de libertinagem que os desobrigava da vida de santificação que agrada a Deus. Pois o que na verdade queriam, era apenas viver seus prazeres e desejos carnais de maneira livre e sem o compromisso com a santidade (separação) divina. Pessoas cujo deus era o ventre e a glória estava nas coisas vergonhosas que praticavam. Provavelmente comilões e beberrões, e praticantes de todo tipo de libertinagem sexual. Pecados claramente condenados por Deus, agora estavam sendo legitimizados por aqueles que só pensavam na vida terrena.

A cidade de Filipos era uma colônia de Roma, onde viviam alguns soldados aposentados, e ficava na passagem entre o oriente e a capital do império. Paulo se aproveita dessa realidade para nos ensinar que também não somos deste mundo. E que a Igreja de Cristo aqui na terra não passava de uma colônia da nossa pátria celestial (v.20). Ora, para alguns pode parecer mais um motivo para o qual não nos preocuparmos com nossas ações e modo de vida enquanto habitantes desse mundo. Mesmo os libertinos inimigos da cruz de Cristo, que viviam de um modo, segundo eles próprios, livre de obrigações morais, pois o que importava apenas era aproveitar a vida, iriam encontrar nessa verdade um motivo pelo qual continuar praticando suas obras carnais, visto que um dia o próprio Cristo viria transformar nosso corpo destrutivo em um novo e glorioso corpo (v.21). Porém o apóstolo nos ensina nesse trecho o quão incoerente e contraditório seria vivermos em práticas desonrosas e dissonantes com nossa cidadania eterna se estamos vivendo em uma colônia do mundo que há de vir. Nem o mais desatento beberrão ou o mais rebelde viciado sexual seria burro o suficiente para desobedecer alguma norma de conduta dentro de uma colônia do império, sabendo ele que toda a lei romana possuía jurisdição sobre todas as colônias. Da mesma forma, todo cristão deve saber que, se vivemos em uma colônia terrena do Reino Celestial, então devemos viver de acordo com a Lei de Deus, de modo que possamos ser reconhecidos como cidadãos desse Reino. Pois um dia iremos morar nas cidades celestiais, uma vez já tendo abandonado a colônia terrestre e temporária na qual hoje estamos como peregrinos.

Então como deve ser o procedimento de quem é um cidadão do Reino Celestial? Paulo já responde a esta pergunta logo depois. Primeiro, firmes no Senhor (4:1 sendo citado agora). Em seguida Paulo - diferente de alguns (judaizantes) que também estavam perturbando os crentes filipenses condenando-os por não imitarem suas práticas ascéticas de separação física do mundo, reclusando-se em cavernas e mosteiros - indica como deveria ser o modo de vida do cristão que entendeu que é um cidadão do Reino Celestial. E ele dá o padrão moral, a régua medidora, o instrumento de avaliação das práticas e ações humanas (4:8-9). E para não cair no erro de listar nominalmente algumas coisas e esquecer outras, ele se utiliza da expressão “tudo o que”. Adjetivo pronominal relativo, também pode ser traduzido como “tudo o quanto”, escrito no gênero neutro plural, para que possa passar a ideia pretendida de que qualquer coisa que o cristão venha a possuir, qualquer ato, qualquer palavra dita, qualquer postura, vestimenta, comida ou bebida, lugar, evento, obra, companhia, etc., deve estar de acordo com a moral divina de santidade, amor, justiça, verdade, bom testemunho, que possua caráter aprovado e digno de ser elogiado. Tudo isto junto e misturado é o que deve ocupar a mente e os desejos dos cristãos. Pois todas essas coisas foram ensinadas por Paulo (v.9), os demais apóstolos, e o próprio Cristo, sendo esse o fundamento da fé cristã. E assim Deus com sua paz estará guiando o caminho do crente, enquanto aguarda sua redenção e glorificação celestial. Que assim sejamos nós, vivendo em concordância com os valores eternos do Reino de Deus, e não de acordo com os padrões distorcidos e carnais deste mundo mau e daqueles que se auto-intitulam mestres do saber.

Para concluir, deixo as palavras do amado irmão Clive S. Lewis, reproduzidas na letra da música da australiana Brooke Fraser.

Se eu encontrar em mim mesmo desejos que nada neste mundo pode satisfazer, Eu só posso concluir que eu não fui feito para este lugar.

No amor de Cristo, o Rei,

Daniel M Monteiro
Teólogo pelo seminário Juvep
Estudante de comunicação na UFPB
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sábado, 7 de janeiro de 2012

I'm back! In black!

Tá eu sei, a frase é clichê (mesmo em inglês)! Mas como eu não tava com muita criatividade na hora e o humor lá em cima, então ficou essa mesmo.
Sim, eu abandonei o blog. Sim, eu estou voltando a escrever. Sim, vocês terão textos de boa qualidade que finalmente darão algum motivo pelo qual voltar aqui mais vezes. Depois de 6 meses, um período estudando comunicação na universidade e muitas reviravoltas na vida, estou aqui, de férias, com a cara e a coragem, pronto para publicar muita coisa que anda vagando pela minha mente de maluco. Espero que meus amados leitores (e tem algum?) apreciem os novos textos. Até breve! Shalom Adonai!

Soli Deo Gloria

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Um bom site


Geralmente eu não costumo usar este espaço da postagem para fazer propaganda ou divulgar outra coisa que não seja uma Palavra ou Estudo do Evangelho. Mas vou abrir uma exceção. Se pensarmos bem, eu não deixei de proclamar o Evangelho.
Esse site cativou minha atenção, tanto pelos pregadores conhecidos, como pela proposta dos temas abordados. Além do canal no youtube com vídeos muito bons. Eu recomendo!

terça-feira, 26 de julho de 2011

A perda da masculinidade nos nossos dias















por Paul Washer

Nas escrituras e em muitas civilizações havia esta noção de que o macho ou era um menino ou era um homem. Não há muitos jovens que gostam de ser chamados de meninos. Então, havendo apenas duas opções, um jovem iria se esforçar para se tornar um homem, pois não quer ser um menino. Mas esta falsa idéia de “modelos evolucionários” trouxe uma terceira categoria: adolescentes.

Então agora quando um garoto atinge a idade de onze, doze anos, ele é chamado de adolescente. E é dito a ele que ele tem que se auto-descobrir, buscar autonomia, ser rebelde, etc.

Mas a bíblia não ensina que exista um período assim. E esta fase é perfeita para o cara preguiçoso, que quer experimentar os privilégios de um homem, mas não quer assumir as responsabilidades de um homem, e continua agindo como um menino, até a idade de trinta anos. A responsabilidade primordial de um homem santo é gerar homens santos. A responsabilidade primordial de um pai é investir sua vida, a todo custo, para criar seus filhos, de maneira que eles cheguem a idade de 17 ou 18 anos e possam assumir o título de homem.

Alguns jovens me perguntam: “Quando eu devo começar a namorar?”. O namoro é algo recente, cultural, que nasceu nos últimos cem anos para cá. É algo recreacional. Você quer sair com uma garota… por que? Porque você quer os privilégios de ter uma parceira ao seu lado mas sem assumir as responsabilidade de ter uma parceira. Então, quando eu posso começar a me relacionar com alguém do sexo oposto? Quando você se tornar um homem.

E o que quer dizer se tornar um homem?

De acordo com as escrituras, em primeiro lugar, é ser capaz de ser o líder espiritual de uma mulher e de uma casa. Antes disso, biblicamente, você não é considerado um homem. Não é apenas ter a capacidade de fazer isto, mas é assumir a responsabilidade, o peso nos seus ombros, de guiar espiritualmente sua família, ensinando e sendo exemplo.

Além disso, você estar pronto para proteger sua família. Não significa ser cheio de músculos, mas ter o caráter forte e necessário para enfrentar as adversidades que batem a porta. Não é obrigação da sua esposa fazer isto. É sua responsabilidade se colocar na porta para que sua mulher nunca tenha que enfrentar os problemas e seus filhos tenham um lugar seguro para crescer e se desenvolver.

Quando um rapaz pode iniciar um relacionamento?

Quando ele pode ser um provedor para aquela pessoa. Por exemplo, se seu pai e sua mãe ainda pagam suas contas, “você não tem o direito” de pensar em alguém do sexo oposto. Apenas porque você atingiu certa idade não quer dizer que pode participar de tudo o que diz respeito a um homem.Você pode ter vinte e um anos e ser ainda um menino. A bíblia sempre trata com homens: “e por esta razão o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir a mulher”.

Esta idéia de namoro recreacional, “estou com ela porque gosto dela”, não existe na bíblia, nem mesmo nas culturas dos povos, exceto na cultura moderna ocidental. Os cristãos tem pelo menos cinco relacionamentos antes de se casarem, então quando chegam no altar, cinco partes deles estão espalhadas por aí. Eles não são uma pessoa completa. Você não pode entrar em um relacionamento, de qualquer tipo de intimidade, sem deixar uma parte de você mesmo para trás.

Não existe na bíblia a idéia de um garoto, debaixo do teto de seus pais, se alimentando da mesa deles, sustentado por eles, que irá sair e se divertir com alguém do sexo oposto. Ela diz que para estar junto com alguém você deve deixar seu pai e sua mãe.

Então, tudo o que conhecemos terá que ser mudado? Exatamente. Mas se você é jovem, você crescerá rápido e se disser: “Eu não posso mais ser um garoto ou brincar com as coisas de garoto, e ao mesmo tempo esperar ter a permissão de participar nos privilégios de homens”.

Pais, é sua principal responsabilidade que quando seus garotos atingirem 18 anos, eles sejam homens. E por que a masculinidade bíblica se perdeu nos dias de hoje? Eu perguntava para um grupo de garotos: “Vocês estão no ensino médio. Vocês já escutaram seus amigos conversando sobre como crescer e se tornar um homem de verdade, desenvolver o meu caráter, ser capaz de tomar conta de mim mesmo, depois encontrar um esposa e criar uma família santa?” Não, eles estão todos brincando com Playstations e coisas assim.

Eu morei em uma tribo no Peru por muitos anos. Lá, quando um garoto tem 14 anos ele pode se casar, porque ele pode construir sua casa, pode fazer uma plantação, pode lutar para defender sua tribo de outras tribos. Mas na nossa cultura, a época do colégio é pura diversão, sem essa noção de “Eu tenho que me tornar um homem”. Depois, vem a universidade, que nada mais é que um colégio com pessoas mais velhas, onde o mesmo espírito permanece:

Vamos pra festa! Vamos andar por aí com nossos amigos! Vamos continuar a nos divertir”.

E alguns, quando saem da universidade, continuam:

Ótimo, agora eu tenho dinheiro, posso comprar mais Playstations! Posso ter mais hobbies e comprar brinquedos mais caros”.

E claro, eles querem sexo, então entram em um relacionamento. Mas, mesmo após o casamento, nunca assumem a responsabilidade de seu relacionamento. Pois não sabem que estão casando com uma esposa, acham que estão casando com uma “mãe”, então querem que o tratamento de “mãe” continue.

Os pais tem essa idéia de que quando seus filhos atingem a idade de 12 anos, 11 anos (e a idade continua diminuindo), e começam a pensar sobre o sexo oposto é chegada a hora deles entrarem em relacionamentos. Este não é o sinal de Deus de que seu filho deve entrar em um relacionamento, mas é o sinal de Deus que é hora de começar a trabalhar a sua masculinidade, para que com o tempo ele se torne um homem e possa entrar em um relacionamento. O mesmo vale para as meninas. A idéia de ter garotos e garotas de 12 e 13 anos se relacionando é doente.


O pior erro que você pode cometer é chegar para um de meus garotos e dizer: “Você é jovem, bonito, porque você não arranja umas namoradinhas?”. Eu vou lhe parar no mesmo instante e lhe manter distante dos meus filhos. Jovens garotos devem estar construindo castelos, lutando contra dragões e lendo Crônicas de Narnia.

O que acontece é que quando aquela faísca aparece, não há ninguém para direcioná-lo. Quem lhe ensina sobre isto é a televisão, revistas e outros garotos como você. É gasto muito tempo conversando sobre garotas, e jogos, e passeando por shoppings, e todo aquele tempo que deveria ser usado para desenvolver masculinidade e feminilidade é jogado fora.

Nos anos 60 e 70, nós quisemos dar ouvidos a grupos de feministas e homossexuais que queriam nos ensinar a como criar nossos filhos. Nós deveríamos ter ido nas escrituras, nas veredas antigas, nos caminhos do Senhor.

Houve o tempo em que os homens eram respeitados por colocarem comida na mesa. Agora, isto não é suficiente, você deve colocar dois carrões na garagem. E muitos homens e mulheres estão trabalhando e não é para colocar comida na mesa, é para comprar todos os brinquedos que a sociedade compra, pagar pelos seus hobbies e a crianças são esquecidas.

Sua obrigação não é dar as crianças todas as coisas que você nunca teve, pois foram as coisas que você nunca teve que fez de você o homem que você é hoje, e são estas coisas que você nunca teve e que você dá aos seus filhos que estão transformando-os em inúteis. Não devemos dar as nossas crianças tudo o que não tivemos, devemos dar a elas nós mesmos, um mentor, um pai, um líder.

Verso 19 de Gênesis 3 diz: “Do suor da tua face tu comerás o pão…”. Há tempos atrás, apenas pessoas milionárias viviam em mansões. Mas, na nossa sociedade moderna, achamos que qualquer pessoa que trabalhe meio-período tem o direito de morar em uma casa destas. Achamos que merecemos tudo, e que temos o dever de viver o estilo de vida que os ricos famosos vivem.

Não, não caiam na falsa idéia de que merecemos uma vida fácil, com várias férias, podendo viajar quando bem quisermos, que podemos terminar nosso trabalho no final do dia, trazer comida para casa, depois sentar na poltrona e ficar ali como um tronco de madeira morto, porque você merece. Isto está errado. Você deve viver do suor do seu trabalho. Esta é sua vida como homem. Você tem muitas obrigações a cumprir e pouco tempo para descansar. Sinto muito, isto é masculinidade.

Em suma, devemos acordar bem cedo, ir trabalhar, voltar para casa, e então nosso real trabalho começa. Temos uma esposa em casa para cuidar que precisa de muito mais do que apenas trazermos comida. E temos crianças que precisam ser discipuladas e mentoreadas. Então, desabamos na cama, para acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo. Esta é a razão pela qual a mulher deve cuidar da casa e viver para seu marido, pois a vida dele é viver para eles.

Nossa cultura prega que devemos ter uma vida fácil. Quando a queda aconteceu, no jardim, a vida fácil foi embora. Muitos homens trabalham, e eles odeiam isso, e eles ficam com suas famílias apenas suficiente para fazer o mínimo, e então podem fugir de seus trabalhos e de suas famílias para fazer algo que realmente gostem, e suas vidas ficam sempre nestes hobbies, nos esportes, em descansar, e outras coisas.

A única maneira de achar contentamento nesta vida é vendo o seu trabalho e suas responsabilidades nesta terra como ordenanças de Deus e aguardando sua recompensa no céu, realizando o trabalho que lhe é proposto e tirando sua alegria do fato de agradar a Deus ao assumir a responsabilidade de sua masculinidade.

Então não podemos praticar esportes ou descansar? Podemos, mas não tanto quanto gostaríamos, ou tanto quanto meus amigos, que não são casados ou não tem filhos. Existem fases diferentes em nossas vidas. Onde está seu coração? A verdadeira alegria não está em continuar sendo um menino eternamente, apenas com brinquedos mais caros e continuamente sendo cuidado por uma mãe, seja ela sua mãe mesmo ou sua esposa. A alegria e o contentamento vem de assumir sua responsabilidade que lhe foi proposta por Deus, de prover para sua família, e não apenas coisas físicas, pois isso é apenas uma pequena parte da provisão.

A pessoa mais importante na face da terra para um homem deve ser sua esposa.

E vice-versa. Uma terrível ilustração para isto é que, se eu estiver em um barco com minha mulher e meus filhos, e o barco estiver afundando, e apenas eu souber nadar e for capaz de salvar apenas uma pessoa, eu devo salvar minha esposa. Você já deve ter escutado: “Não há amor como o de mãe”, isso é errado, a bíblia fala que não há amor como o amor de um pai.

Você sabe porque tantas mulheres são tão ligadas as seus filhos?

Porque suas necessidades emocionais que deveriam ser supridas por seu marido não o são, então elas buscam esse suporte emocional nos seus filhos. O problema é que as crianças não foram feitas para nutrir emocionalmente os pais. Se o marido amar a esposa mais do que tudo, as crianças olharão e dirão: “Meu pai ama minha mãe mais do que tudo neste mundo. Este lar está seguro como uma rocha, papai não vai a lugar nenhum”. E a filha dirá: “Então é assim que um homem deve tratar uma mulher. Meu pai trata minha mãe como se fosse uma rainha. Eu não irei aceitar nada menos do que isto”.

Tradução e transcrição pela Equipe BC Heart da pregação “What it takes to be a man?” – por Paul Washer

domingo, 17 de julho de 2011

É proibido julgar?


Faz tempo que eu estava querendo publicar algo sobre este tema ao meus leitores. Mas ficava difícil porque teria que fazer um estudo exegético da passagem. Até que meio "sem querer" encontrei esse excelente ensino do Dr. Augustus Nicodemos Lopes, paraibano nato, pastor presbiteriano e professor na Faculdade Presbiteriana Mackenzie. Texto retirado do site O Tempora, O Mores, vale a pena ler. Segue abaixo.

Ainda recentemente participei de uma discussão no Facebook com vários de meus amigos onde uma moça aborreceu-se com alguns comentários feitos a um terceiro (não por mim, garanto!) e retirou-se zangada, dizendo que Jesus havia ensinado que não se devia julgar os outros.

Eu sei que existem situações em que julgar é realmente errado, mas aquela não era uma destas situações. A pessoa que estava sendo "julgada" tinha feito declarações e expressado suas opiniões e os outros simplesmente estavam avaliando e rejeitando as mesmas. A atitude da mocinha, que ficou sentida, ofendida e magoada, é infelizmente comum demais no meio evangélico moderno, onde as pessoas usam as famosas palavras de Jesus de maneira errada como argumento em favor de que devemos aceitar tudo o que os outros dizem e fazem, sem pronunciarmos qualquer juízo de valor que seja contrário.

Mas, foi isto mesmo que Jesus ensinou? A passagem toda vai assim:

"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
Não deis o que é santo aos cães Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem." (Mateus 7:1-6)

Alguns pontos ficam claros da passagem.

1) O que Jesus está proibindo é o julgamento hipócrita, que consiste em vermos os defeitos dos outros sem olharmos os nossos. O Senhor determina que primeiro nos examinemos e nos submetamos humildemente ao mesmo crivo que queremos usar para medir e avaliar o procedimento e as palavras dos outros. E que, então, removamos a trave do nosso olho, isto é, que emendemos nossos caminhos e reformemos nossa conduta.

2) Em seguida, uma vez que enxerguemos com clareza, o próprio Senhor determina que tiremos o argueiro do olho do nosso irmão. O que ele quer evitar é que alguém quase cego com um tronco de árvore no olho tente tirar um cisco no olho de outro. Mas, uma vez que estejamos enxergando claramente, após termos removido o entrave da nossa compreensão e percepção, devemos proceder à remoção do cisco do olho de outrem.

3) Jesus faz ainda uma outra determinação no versículo final da passagem (verso 6) que só pode ser obedecida se de fato julgarmos. Pois, como poderemos evitar dar nossas coisas preciosas aos cães e aos porcos sem primeiro chegarmos a uma conclusão sobre quem se enquadra nesta categoria? Visto que é evidente que Jesus se refere a pessoas que se comportam como porcos e cães, que não vêem qualquer valor no que temos de mais precioso, que são as coisas de Deus. Para que eu evite profanar as coisas de Deus preciso avaliar, analisar, examinar e decidir - ou seja, julgar - a vida, o comportamento e as declarações das pessoas ao meu redor.

Fica claro, então, que o Senhor nunca proibiu que julgássemos os outros, e sim que o fizéssemos de maneira hipócrita, maldosa e arrogante. Julgar faz parte essencial da vida cristã. Somos diariamente chamados a exercer o papel de juízes movidos por amor pelas pessoas e zelo pelas coisas de Deus.

Quem nunca julga contribui para que o erro se propague, para que as pessoas continuem no erro. São pessoas sem convicções. Elas se tornam coniventes e cúmplices das mentiras, heresias e atos imorais e anti-éticos dos que estão ao seu redor. Paulo disse a Timóteo, "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro" (1Tim 5:22). Não consigo imaginar de que maneira Timóteo poderia cumprir tal orientação sem exercer julgamento sobre outros.

Em resumo, julgar não é errado, cumpridas estas condições: a) que primeiro nos examinemos; b) que nos coloquemos sob o mesmo juízo e estejamos prontos para admitirmos que nós mesmos estamos sujeitos a errar, pecar e dizer bobagem; c) que nosso alvo seja ajudar os outros a acertar e consertar o que porventura fizeram ou disseram.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Por que adorar a Deus?


O motivo primário pelo qual devemos adorar a Deus é porque ele é digno de nossa adoração[1]. Essa foi a crença inicial dos protestantes descrita na Confissão de Fé de Westminster. Eles criam que “o principal alvo do homem era glorificar a Deus e alegrar-se nele eternamente” (HESSION apud SHEDD, 2007, p. 11). Deus é o criador do universo. Ele é santo, justo e perfeito em santidade. Com poder e justiça criou todas as coisas existentes. Estabeleceu os limites e determinou a atuação de cada força que rege o universo. Ele o mantém em equilíbrio e o sustenta. E é o único que tem poder para realizar tais feitos. Portanto é merecedor de toda nossa confiança e devoção. A Bíblia está recheada de textos que exaltam e dignificam a Deus[2]. É ela que declara e fundamenta essa autoridade.

A Bíblia fala em Efésios[3] que fomos feitos para o louvor da sua glória. Vamos analisar nossa situação antes de conhecer a Deus. O homem sem Deus está afastado do propósito pelo qual foi criado. O Deus da Bíblia é um ser relacional. Alguém que tem prazer em se relacionar com o homem. Uma prova disso é que Ele mesmo existe em comunhão consigo mesmo, onde cada pessoa da trindade se relaciona com as demais em harmonia. O Pai com o Filho e com o Espírito, o Filho com o Pai e o Espírito, e o Espírito com o Pai e o Filho. Mesmo Deus sendo completo em si mesmo por natureza, em sua soberania Ele escolheu criar o homem para que se relacionasse consigo. Infelizmente esse propósito da vida humana foi perdido por causa do pecado. Com a queda, o homem deixou de adorar o Criador e passou a adorar a criatura[4]. Essa mudança no estado espiritual do homem, de vivos para mortos, fez com que este se desviasse do relacionamento com Deus. Porém, o plano de Deus para o homem não está frustrado por causa do pecado, nos trazendo a salvação por meio de seu filho Jesus, o Cristo. Então, o homem deve adorar a Deus para cumprir o propósito de se relacionar com Ele, propósito esse que foi resgatado pela obra de Jesus na cruz.

A salvação em si, é outro motivo para a adoração. Não apenas pelo fato de restaurar o homem ao seu propósito inicial de existir para o louvor da glória de Deus. Mas porque o leva a um sentimento de gratidão a Deus. Se dissermos que adoração é uma expressão íntima de amor de uma pessoa à outra*, então a adoração cristã pode ser compreendida como o desejo íntimo de expressar amor e gratidão a Deus, pelo que ele é e fez. Nosso estado, antes de conhecermos a Jesus Cristo, era de espiritualmente mortos. Condenados a passar a eternidade longe de Deus e seu amor. Porém, recebemos por meio de Jesus a condição de sermos feitos filhos de Deus[5].



[1] Ap. 4:11

[2] 1 Cr. 16:25, 28; 29:11; Sl. 48:1; 96:4; 145:3; Ap. 1:6

[3] Ef. 1:12

[4] Rm. 1.25

[5] Jo. 1:12